CULTURA DO ARROZ DE SEQUEIRO

terça-feira, 9 de dezembro de 2008 ·



Importancia econômica
Até a década de 70 a produção do arroz de terras altas e do arroz irrigado eram complementares no abastecimento nacional e a concorrência entre eles era baixa, pois os produtos se dirigiam à diferentes mercados consumidores. A partir de meados dos anos 70 o arroz irrigado passou a dominar a preferência nacional e obter maiores cotações no mercado. Neste aspecto, ressalta-se que a mudança de preferência do consumidor provocou um aumento da área cultivada do arroz irrigado. A partir do início da década de 80, a produtividade média nacional apresenta uma tendência de crescimento.

Com essas mudanças, a área de cultivo com arroz de terras altas reduziu, mas a produção cresceu e a qualidade melhorou, com isso, recuperou parte do prestígio que havia perdido. A perspectiva é que a produção dos diferentes ecossistemas continue desempenhando um papel de complementariedade, mas com uma certa concorrência. Mas, essa concorrência não deve ser acirrada, pois a curto prazo, nenhum sistema sozinho é capaz de atender a demanda interna. No entanto, na competitividade do arroz não está circunscrita a disputa entre o arroz de terras altas e arroz irrigado, mas sim a organização da produção.

Com o propósito de oferecer subsídios que permitam um melhor entendimento do assunto apresenta-se um breve retrospecto das história recente da cultura, considerando os avanços, mudanças tecnológicas e de preferência de consumo, aliados à conjuntura macroecnômica.

Apesar da pulverização da produção, pode-se dividir a produção de arroz no Brasil, em três pólos: o primeiro é a Região Sul, com destaque para o Estado do Rio Grande do Sul, o segundo é a região Central, abrangendo os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso. O terceiro pólo, o estado do Maranhão que, além da importância histórica na produção, na década de 90 foi o terceiro maior estado produtor deste cereal.

No período de 1970 a 1975 ocorreram variações nos preço, mas o arroz de terras altas continuou com o preço mais alto. Em 1975, houve uma inversão, mas o domínio do arroz irrigado passou a vigorar a partir de 1980. Ressalta-se que nesse processo, ocorreu uma ligeira mudança do perfil do produtor de arroz de terras altas, principalmente no estado do Mato Grosso e que o nível de exigência do consumidor foi fundamental na determinação dos rumos do processo produtivo. Outro componente importante foi a mudança do papel do governo, que era o maior comprador e vendedor de arroz. Um aspecto relevante também a ser mencionado é que o governo não primava pela qualidade, ou seja, não havia estímulo para que se produzisse com qualidade, mas sim quantidade.

No período de 1994 a 2001, observou-se que a participação média do agronegócio no produto interno bruto - PIB foi cerca de 30,5%, enquanto o PIB da agricultura foi 21,5% e da pecuária foi de 9%, caracterizando o agronegócio e respondendo por cerca de um terço da economia nacional. Neste contexto, a rizicultura ocupa uma posição de destaque no agronegócio brasileiro pois, no período de 1990 a 2002, respondeu por 6,88% da renda agrícola total, sendo o sexto produto em renda, ficando atrás da soja (18,47%), cana-de-açúcar (13,94%), milho (13,68%), laranja (7,67%)m e café (7,38%).

Apesar das importantes inovações tecnológicas conseguidas nas décadas de 80 e 90, a rizicultura de terras altas tem dois grandes desafios; o primeiro, a consolidação da cultura de forma sustentável nos diferentes sistemas de produção de grãos, especialmente sob plantio direto e o segundo é a mudança do perfil do rizilcultor, ainda falta muito para se alcançar um estágio que possa classificá-los como profissionais na cultura.

No âmbito mundial, o arroz é cultivado nos cinco continentes, tanto em regiões tropicais como temperadas. A Ásia é a principal produtora, nela concentra-se mais de 90% da produção mundial. Os países que se destacam são: China, Índia e Indonésia que respondem, respectivamente, por 30%, 23% e 8% da produção mundial. Nos últimos dez anos, na América do Sul e na África, a produção de arroz cresceu, respectivamente, a uma taxa média de 3,2% e 3,6% a.a. A expectativa para o próximo decênio é que a taxa de crescimento não ultrapasse a 2,5% a.a. Essa projeção se apoia, principalmente, na premissa que não vão ocorrer novos ganhos de rendimentos. Nos grandes países asiáticos a produção de arroz é suficiente para atender o consumo doméstico. Países como China e Indonésia, exercem grande influência no comportamento do mercado mundial, haja vista que são grandes produtores e possuem alto nível populacional.

O consumo de arroz teve um forte progresso nos últimos trinta anos. Os padrões de consumo podem ser classificados em três grandes modelos. O modelo asiático que corresponde a um consumo médio per capita superior a 100 kg a.a. Neste grupo há países que o consumo alcança até 200 kg. a.a. Um exemplo desse grupo é a China, que apresenta um consumo anual médio de 110 kg per capita. O modelo subtropical apresenta um consumo per capita médio que varia de 35 a 65 kg a.a. O Brasil é um país representativo desse grupo, o consumo médio gira em torno de 45 kg. a.a. de arroz beneficiado. No modelo ocidental o consumo per capita médio é baixo, cerca de 10 kg. a.a. Como exemplo desse grupo pode-se citar a França com um consumo per capita de 5 kg a.a.

Existem dois grandes mercados de arroz no mundo. O mercado de alto padrão e o mercado de baixo padrão. As diferenças de padrões são definidas basicamente, pelo percentual de quebrado. Nas cotações de preços internacionais somente se distinguem as seguintes características: país de origem, percentual de arroz quebrado, aromático ou não aromático, parbolizado ou branco.

Para se fazer uma prospecção da rizilcultura brasileira com um certo grau de confiabilidade é uma tarefa difícil, porque alguns pontos considerados estratégicos não estão claros, por exemplo, a) indefinição quanto o grau der interesse por parte dos planejadores de política públicas pelo produto; b) desdobramentos do aumento do processo de verticalização e concentração nas empresas privadas no mercado de alimentos; c) a postura nos itens anteriores e vão determinar se o país vai se inserir no mercado internacional como importador ou aumentar a dependência de importação para abastecer o mercado interno, cujo o eventuais fornecedores seja os países ricos, que continuam aperfeiçoando suas produções com o objetivo de conquistar novos mercados.

CLIMA
No Brasil, o arroz de terras altas é uma das culturas mais influenciadas pelas condições climáticas. Em geral, quando as exigências da cultura são satisfeitas, obtêm-se bons níveis de produtividade. Entretanto, quando isso não ocorre, pode-se esperar frustrações de safras, que serão proporcionais à duração e à intensidade das condições meteorológicas adversas. Essa cultura é submetida a condições climáticas bastante distintas, pelo fato de ser semeada em praticamente todos os estados, em latitude que variam de 5° Norte até 33° Sul.

A duração do dia, definida como o intervalo entre o nascer e o pôr do sol, é conhecida como fotoperíodo. A resposta da planta ao fotoperíodo é denominada fotoperiodismo. Sendo o arroz de terras altas uma planta de dias curtos, (dez horas) tem seu ciclo diminuído, antecipando a floração. O fotoperíodo ótimo é considerado o comprimento do dia no qual a duração da emergência até a floração é mínima.

A temperatura do ar é um dos elementos climáticos de maior importância para o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade da cultura do arroz. Cada fase fenológica tem a sua temperatura crítica ótima, mínima e máxima. Em geral, a cultura exige temperaturas relativamente elevadas da germinação à maturação, uniformemente crescente até à floração (antese) e decrescentes, porém, sem abaixamento bruscos, após a floração.

As características do regime pluvial expressas pela quantidade e a distribuição das chuvas durante o ciclo da planta, são os fatores mais limitantes à produção de grãos.

Do ponto de vista agroclimático existem, basicamente, duas alternativas para se diminuir a influência da deficiência hídrica no arroz de terras altas: a) identificação das épocas de semeadura com menores riscos de ocorrência de deficiência hídrica durante o ciclo e, principalmente, durante a fase reprodutiva da cultura; b) identificação, através do zoneamento agroclimático, das regiões com menores riscos de ocorrência de deficiência hídrica.

Na cultura do arroz de terras altas, a diminuição de água concorre para uma diminuição no rendimento de grãos. Para diminuir os efeitos negativos decorrentes da redução hídrica, torna-se necessário semear em períodos nos quais a fase de florescimento-enchimento de grãos coincide com uma maior demanda pluvial. Para isto, acredita-se que um estudo sobre o balanço hídrico do solo possibilitará caracterizar os períodos de maior e menor quantidade de chuva oferecendo, desta forma, subsídios para a concretização de um zoneamento de risco climático.

As simulações do balanço hídrico associadas a técnicas de geoprocessamento, permitiram identificar no tempo e no espaço, as melhores datas de semeadura do arroz de terras altas nas diferentes regiões do Brasil. Com chance de perda de dois anos em dez, ou seja, 80% de chances de sucesso, evitando-se o veranico na fase de enchimento de grãos, as variáveis a serem consideradas por ordem de importância são: retenção de água no solo e duração do ciclo. Quanto maior a capacidade de armazenamento de água no solo, associado ao ciclo mais curto, menores serão as perdas. O risco de perda se acentua quanto mais tarde for a semeadura, independente do solo e do ciclo da cultura, uma vez que as chances de ocorrerem veranicos nos períodos compreendidos entre janeiro e fevereiro são acentuadas nos seguintes estados: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Tocantins. De forma geral, é possível concluir que, para plantios realizados após 20 de dezembro, o risco climático é bastante acentuado para a cultura do arroz de terras altas, exceto em algumas localidades do Estado de Mato Grosso, onde se apresenta uma distribuição pluvial bastante regular. Assim, é possível realizar semeadura do arroz até meados de janeiro em regiões localizadas, principalmente, no Noroeste do Estado de Mato Grosso.

O solo é um mineral não consolidado influenciado por uma gama de fatores, tais como, o material de origem, a topografia, o clima (temperatura e umidade) e os microorganismos, que, no decorrer do tempo, atuaram na sua formação. Cada solo se diferencia por suas propriedades e características físicas, químicas, biológicas e morfológicas do material de origem. O manejo apropriado decorre de sua classificação, que destaca suas características gerais e específicas e os agrupa de forma ampla, com base nas características gerais, e em subdivisões, de acordo com suas propriedades específicas. As propriedades morfológicas, físicas, químicas e mineralógicas são critérios distintivos.


A maioria dos solos de cerrado onde o arroz de terras altas é cultivado são Oxissolos e possuem baixa fertilidade. Os valores médios das propriedades químicas dos solos de cerrado em estado natural são: pH 5,2; P 2 mg kg-1 , K <>-1; Ca <1,5>c kg -1; Mg <1>c kg-1, Zn e Cu em torno de 1 mg kg-1, matéria orgânica na faixa de 15 a 25 g kg-1 e saturação por bases <>

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